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Por Diego Gabriel Barbosa Azevedo, Founder e Full Stack Marketer

Conar reprova o "até 24 GB de RAM" da Motorola, e o problema é confiança de marca

O Conar decidiu, por unanimidade, que a Motorola precisa mudar a forma como anuncia a memória RAM de aparelhos como o Edge 70 Pro e o Moto G47, que somavam RAM física e RAM Boost (memória virtual) num único número de destaque. O caso mostra como uma ficha técnica inflada também é, antes de tudo, um problema de honestidade de marca.

Caixa do smartphone dobrável Motorola Razr+ sobre uma mesa azul, com o logo da Motorola em destaque e dois aparelhos Motorola RAZR mais antigos ao lado.
O logo que carimba a marca também carimba a responsabilidade pelo número que ela anuncia. Foto: Daniel Romero / Unsplash.

Na quinta-feira, dia 24 de setembro de 2026, o Conar decidiu, por unanimidade, que a Motorola precisa mudar a forma como anuncia a quantidade de memória RAM de parte dos seus celulares no Brasil. O motivo: a marca somava a RAM física de fábrica com a RAM Boost, um recurso que empresta espaço do armazenamento interno pra simular mais memória, e apresentava o total como se fosse tudo memória de verdade.

O que o Conar decidiu sobre os anúncios de RAM da Motorola?

O Conselho de Ética do Conar julgou o caso em sessão conjunta da 5ª e da 8ª Câmaras e decidiu, por unanimidade, que a Motorola terá que adequar a publicidade dos aparelhos envolvidos, tanto em mídia digital quanto em material de ponto de venda físico. A representação, de número 184/26, se baseou no artigo 27 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, que exige descrição verdadeira do produto e proíbe apresentações capazes de induzir o consumidor a erro sobre as características anunciadas. Como é um processo de autorregulamentação e não uma multa de órgão público, não há sanção automática e cabe recurso da Motorola, segundo reportagem do Mobilebit (abre em nova aba). A Oficina da Net informa ainda que a decisão não estabelece um prazo específico para a mudança.

Como a Motorola chegava aos "24 GB de RAM"?

O problema apontado ao Conar não é o recurso em si, é a forma de apresentar o número. A RAM Boost transforma parte do armazenamento interno do aparelho em memória de apoio, o que é uma prática comum no mercado. O que a Motorola fazia de diferente, segundo a tabela publicada pela Oficina da Net (abre em nova aba), era somar esse valor virtual à RAM física e divulgar o total como um número só. Segundo a Antihype, o "até 24 GB" aparecia em letras grandes nas páginas dos aparelhos.

12 GB
RAM física do Motorola Edge 70 Pro, segundo a Oficina da Net e a Antihype
24 GB
número destacado no anúncio, somando os 12 GB físicos a até 12 GB de RAM Boost (memória virtual)

Fontes: Oficina da Net e Antihype, sobre a decisão do Conar na representação 184/26. No Moto G47, o mesmo tipo de conta aparecia entre 4 GB físicos e até 8 GB de RAM Boost, anunciados juntos como até 12 GB.

Pra quem compra, a diferença importa: RAM física responde de imediato, enquanto memória virtual tirada do armazenamento é mais lenta e reduz o espaço livre pra fotos, vídeos e aplicativos. Anunciar os dois números como se fossem equivalentes muda a decisão de compra de quem está comparando aparelhos pelo desempenho.

A Motorola já corrigiu os anúncios?

Aos poucos, e com o cronograma em disputa. A Motorola afirmou ao Tecnoblog (abre em nova aba) que a mudança já estava adotada nos próprios canais desde o início de agosto, mas a checagem do site em 25 de setembro encontrou peças com o número somado ainda no ar, um dia depois do julgamento. A Antihype (abre em nova aba) viu o mesmo na página do Moto G86 e lembra que o Tecnoblog já tinha questionado a Motorola sobre a prática em janeiro de 2025. Na segunda-feira, 28 de setembro, a Oficina da Net (abre em nova aba) conferiu que as páginas do Moto G86 e do Edge 70 já tinham sido corrigidas.

O que essa decisão ensina sobre comunicar especificação de produto?

A tentação de somar dois números diferentes num só, pra anunciar algo maior, existe em qualquer setor, não só em celular. Ficha técnica inflada é uma versão específica de um problema mais amplo que já aparece em outras marcas: prometer mais do que o produto entrega de fato. Como a Uspectro escreveu sobre a honestidade virando critério de peso pra marcas em 2026, a diferença entre uma marca que dura e uma que perde a confiança do público está exatamente nesse tipo de detalhe: o que se anuncia precisa caber, sem letra miúda, dentro do que o produto realmente entrega.

  • Separe o que é físico do que é estimado ou virtual. Se um número soma duas naturezas diferentes de recurso, mostre as duas partes, não só o total.
  • Teste a ficha técnica com quem não é da equipe. Se alguém de fora do time lê o anúncio e entende algo diferente do que o produto entrega, o texto precisa mudar antes de ir ao ar, não depois de o Conar pedir.
  • Números demais escondem, não convencem. Um valor alto que não se sustenta no uso real custa mais caro em confiança do que um valor honesto que parece menor no anúncio.
  • Corrija rápido quando alguém apontar o problema. O intervalo entre a crítica pública e a correção efetiva também vira parte da imagem da marca, como mostra a própria repercussão do caso Motorola.

Resumindo: o Conar decidiu, por unanimidade, que a Motorola precisa parar de somar RAM física e RAM Boost num único número de destaque nos anúncios de celulares como o Edge 70 Pro e o Moto G47, por violar a exigência de informação verdadeira do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Pra quem cuida de marca, o caso é um lembrete direto: a ficha técnica também é comunicação, e o que ela promete precisa bater com o que chega na mão de quem compra.

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